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Transtornos Alimentares
18/09/2006

    

No mundo inteiro, a cada ano, milhões de pessoas apresentam comportamentos disfuncionais caracterizados como transtornos alimentares. A grande maioria dos acometidos são adolescentes e mulheres jovens. Dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, mostram que 1% das adolescentes desenvolve anorexia, que pode levar à morte por desnutrição. Entre 2 e 3% de mulheres jovens desenvolve bulimia, transtorno caracterizado pela ingestão de uma quantidade excessiva de alimento sendo que, depois, se provoca o vômito.

Nos dias de hoje as preocupações excessivas com o peso e a aparência corporal, influenciando o comportamento alimentar, são um fenômeno generalizado e preocupante.

 Vamos identificar os transtornos alimentares:

 Anorexia: Pessoas que passam fome intencionalmente sofrem de um transtorno alimentar chamado anorexia nervosa. É um transtorno que se inicia, geralmente, na adolescência. Há considerável perda de peso, embora exista a percepção de que se está com excesso de peso. Por vezes, a hospitalização para evitar a inanição se faz necessária.

Aqueles que apresentam anorexia se submetem a longos períodos de jejum, apesar de terem a sensação de fome. Preocupa o fato dessas pessoas se acharem gordas, embora estejam extremamente magras.

A alimentação e o cuidado para não ganhar peso tornam-se uma obsessão. Há a presença também de comportamentos compulsivos com rituais alimentares e recusa de comer na frente de outras pessoas. Alguns podem entrar em rotinas perigosas de exercícios físicos no intuito de perder peso. Há interrupção no ciclo menstrual para as mulheres que desenvolvem esse transtorno. Os homens com esse transtorno se tornam com freqüência impotentes.

 Bulimia: A palavra "bulimia" tem origem do grego bous (boi) e limos (fome). Ingerir quantidades excessivas de alimento (orgia alimentar) e depois induzir o vômito, fazer jejuns prolongados ou fazer uso de laxantes no intuito de eliminar o alimento é a característica principal deste transtorno. Alguns praticam exercícios físicos excessivamente para queimar as calorias ingeridas (comportamentos compensatórios). Algumas pessoas conseguem esconder o problema durante muito tempo, pois conseguem manter um peso normal ou pouco acima do normal com os comportamentos de eliminar os alimentos. Os familiares, amigos e profissionais da área de saúde podem ter dificuldade em diagnosticar a bulimia. A bulimia também tem início, na maioria das vezes, na adolescência.

Comer excessivamente pode servir como um alívio fisiológico e psicológico da dor, ansiedade, ou entorpecimento.

 Transtorno do Comer Compulsivo: Este transtorno se parece muito com a bulimia. Caracteriza-se também pela ingestão de quantidades excessivas de alimento. A diferença é que no transtorno do comer compulsivo não há a eliminação forçada dos alimentos. É comum o relato de que se perde o controle quando se come. Come-se mais rápido que o normal, a fome não é o que direciona ao alimento e come-se sozinho por se envergonhar da maneira e do quanto se come. As pessoas com esse transtorno só param de comer quando se sentem desconfortavelmente empanturradas de comida. É muito comum o sentimento de arrependimento, culpa e depressão após os episódios. São pessoas que apresentam peso acima do normal, embora, apresentam em sua história, variação de peso. A freqüência também é maior em mulheres.

FIQUE ATENTO AO QUE PODE DESENCADEAR SEUS EPISÓDIOS DE COMER COMPULSIVAMENTE!

 Eventos, tais como, perdas, rompimentos afetivos, dificuldades no relacionamento interpessoal, frustrações, rejeições podem preceder as crises. É importante aprender a lidar com essas situações.

 COMPLICAÇÕES

 Entre os transtornos mentais, os transtornos alimentares são responsáveis pelos maiores índices de mortalidade em mais de 10% dos pacientes.

 QUAIS SÃO AS CAUSAS DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES?

 Os pesquisadores têm estudado os fatores genéticos, o metabolismo e o ambiente de pessoas que desenvolvem o transtorno alimentar. As causas parecem ser complexas. No entanto, é unânime o papel sócio-cultural e psicológico no aparecimento dos sintomas e desencadeamento de crises.

É COMUM O TRANSTORNO ALIMENTAR ESTAR ASSOCIADO A OUTROS TRANSTORNOS?

 Ansiedade extrema e episódios depressivos tem alta correlação com os transtornos alimentares.

E A FAMÍLIA DAQUELES QUE APRESENTAM UM TRANSTORNO ALIMENTAR?

 Existem algumas características comuns entre as famílias dos que desenvolvem transtorno alimentar. É comum haver falta de regras claras no ambiente familiar ou até mesmo o excesso de regras. Famílias que reforçam a preocupação excessiva com a aparência física, que valorizam o corpo ou que tem uma preocupação com regimes.

 TRATAMENTO

 Os transtornos alimentares são melhor tratados quando são diagnosticados precocemente. É, no entanto, difícil o diagnóstico, pois o paciente pode negar os sintomas e o problema. Há necessidade de um profissional da área de saúde habilidoso para constatar o transtorno. Em alguns casos, o tratamento é de longa duração. A intervenção medicamentosa se faz necessária em boa parte dos casos e a psicoterapia é obrigatória.

O ideal é o tratamento que inclua um clínico, um nutricionista, um psicólogo individual e familiar e um psiquiatra.

A Terapia Comportamental, nesses casos tem se mostrado uma abordagem psicológica muito eficaz, ao contrário das abordagens psicodinâmicas. Ela tem como objetivos: desenvolver o comportamento alimentar adequado, modificar os padrões de pensamento distorcidos e rígidos (crenças disfuncionais), aumentar a auto-estima, motivar a persistência no tratamento, proporcionar apoio emocional, reinserir a pessoa no meio social e auxiliar a modificação do meio que produz o transtorno alimentar. A Terapia Comportamental pode auxiliar, também, os familiares, orientando-os em condutas que auxiliem a melhora daqueles que desenvolveram o transtorno alimentar.

Estudos do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA mostraram que a conjugação de Terapia Comportamental com tratamento médico apoiado em remédios anti-depressivos tem sido muito benéfica àqueles com transtornos alimentares.

O QUE A FAMÍLIA PODE FAZER?

 Entender, em primeiro lugar, que não se trata de um problema simples e que a solução não é simples. É importante que se tenha calma e persistência no tratamento. A família pode auxiliar seguindo as orientações do profissional ou profissionais de saúde que estiverem acompanhando a pessoa que apresenta o transtorno. Ler sobre o assunto pode auxiliar, mas adotar novos comportamentos no ambiente familiar é essencial para a cura.

 

 

 

(Publicado por: Fábio Augusto Caló – Texto extraído da página: www.inpaonline.com.br)

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