ESCLEROSE MÚLTIPLA
Aumenta registro de esclerose múltipla que atinge principalmente as mulheres entre os 20 e os 30 anos de idade
Situações estressantes estão entre fatores que podem contribuir para manifestação da doença do sistema nervoso cujas causas ainda são desconhecidas
A esclerose múltipla (EM) é uma doença do sistema nervoso central e embora suas causas ainda sejam desconhecidas, já se sabe que fatores ambientais e genéticos influenciam em seu surgimento. Presidente da Sociedade de Neurologia de Goiás, Delson José da Silva diz acreditar que houve um aumento no registro da doença nos últimos anos, mas chama a atenção, nesse sentido, para a possível influência de fatores como o avanço tecnológico, que favorece o diagnóstico, ou ainda uma maior divulgação, o que permite às pessoas se informarem melhor sobre os sintomas e buscarem assistência médica.
Trata-se de uma doença de pessoas jovens, ao contrário da esclerose, que atinge pessoas idosas e pode culminar em demência. A esclerose múltipla surge geralmente entre os 20 e os 30 anos de idade e atinge principalmente as mulheres: elas representam cerca de 75% dos portadores, ou três em cada quatro casos de esclerose múltipla.
Segundo o neurologista, isso talvez ocorra por fatores hormonais, mas não deve ser descartada a realidade de que, em termos gerais, a mulher é hoje muito mais exposta que nas gerações passadas, o que pode ter contribuído para maior manifestação da doença. A mulher foi trabalhar fora, passou a fumar mais, tornou-se mais competitiva, passou a viver situações estressantes, desconhecidas até um passado relativamente recente.
Teorias
A causa da doença ainda é um dos mistérios enfrentados pela medicina. A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla lista três teorias consideradas pela ciência: 1º) é possível que a EM seja causada por alguns vírus lentos ou que seja uma reação retardada a um vírus comum; 2º) é provável que seja causada por uma resposta auto-imune em que o corpo se “engana” e ataca seus próprios tecidos; e, 3º) é possível uma combinação de fatores. Neste caso, a esclerose múltipla poderia ser causada por um vírus e uma resposta auto-imune. A coordenadora do Centro de Referência Estadual para Doenças Desmielinizantes de Pernambuco, Maria Lúcia Brito Ferreira, enfatiza a importância do diagnóstico precoce da doença para que o tratamento tenha início o mais rápido possível. Ou, como sublinha o neurologista goiano Delson José, “quanto mais cedo o diagnóstico, mais favorável o prognóstico”. Daí que, em caso de sintoma suspeito, o certo é procurar logo o médico. Mesmo porque na esclerose múltipla os sintomas iniciais são leves e a doença se manifesta por surtos – como perda visual, tremor nas mãos – que desaparecem em poucos dias, fazendo com que a doença passe despercebida na fase inicial.
Reconhecida como uma entusiasta no estudo da esclerose múltipla no Brasil, a neurologista e neurofisiologista Denise Sisterolli diz que trata-se de uma doença multifacetada e, portanto, pode dar qualquer sintoma, o que vai depender do local que inflama primeiro. Entre os preferidos, orienta, estão o nervo óptico (visão dupla, por exemplo) e o tronco cerebral (labirintite, ou “tonturas”, na expressão popular).
Denise acrescenta que o tratamento da doença, complexa, envolve tanto a parte medicamentosa como uma equipe multiprofissional trabalhando no suporte aos pacientes, como neurologistas, neuropsicólogos, otorrinos, oftalmologistas, fisiatras, entre outros.
(Fonte: Jornal O POPULAR – agosto de 2006). |