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Comer bem e  com saúde

Mesmo sendo uma necessidade bási­ca do ser huma­no, o hábito de se alimentar é cercado por contradições. De um lado, come-se de tudo, em qualquer quantida­de e a qualquer hora. Do outro, as rigorosas dietas, em nome de uma boa saúde e da boa for­ma. Seria muito bom se fosse possível encontrar o equilíbrio entre essas duas pontas e pudésse­mos tornar as refeições diárias ao mesmo tempo prazerosas e benéficas.

E é possível. A boa notícia é assegurada pela nutricionista Maria­na Viana Tibúrcio. “Po­demos comer com pra­zer e dentro de padrões ideais de saúde física e bem-estar”, confirma. A nutricionista reconhece que somos bombardea­dos por propagandas de produtos alimentícios com grande quantidade de componentes pre­judiciais ao organismo e, como as prateleiras dos supermercados es­tão repletas deles, não é fácil resistir. “Mas tam­bém temos outras opções saborosas e saudáveis disponíveis no mesmo local”.

 Hierarquia

Partindo do prin­cípio de que tudo na vida é hábito, a nutri­cionista salienta que não é de uma hora para outra que alguém vai mudar sua maneira de se alimentar. “Se ela aprendeu de um jeito a vida toda, não é um papel que vai modificar isso da noite para o dia”. Outras razões que levam as pessoas a desistirem de praticar uma alimen­tação mais saudável são: pensar que custa caro, que não comerão bem e que dá muito trabalho. Mariana, que tem pacientes de faixas etárias, classes sociais e atividades profissio­nais diversas mostra que nenhum dos três argumentos são ver­dadeiros.

Segundo a nutri­cionista, se alimentar adequadamente não significa consumir ali­mentos caros. “Muito pelo contrário, legumes e verduras, por exem­plo, são encontrados em qualquer feira e su­permercado”. Quanto a não comer bem, ela diz que isso é impossível, porque uma boa dieta inclui, no mínimo, cin­co refeições diárias e, em relação ao trabalho, não tem nenhum segre­do. Mas a nutricionista é firme ao dizer que é realmente preciso fa­zer um esforço para adquirir novos hábitos. É o que ela chama de reeducação alimentar.

E como boa nu­tricionista, Mariana nos lembra quais são as necessidades de nu­trientes do organismo humano. Imaginando os alimentos dispostos em uma pirâmide, pri­meiro vêm os grãos, depois as hortaliças, a seguir as frutas, o leite e seus derivados e, por fim, a carne e gordura. A hierarquia é exata­mente pra traduzir que, à medida que a pirâmide avança, a quantidade deve ir sendo reduzida. “A expectativa de vida do brasileiro já é de 80 anos. Se não cuidarmos bem da nossa saúde com uma alimentação equili­brada e uma atividade física, que também é fun­damental, corremos sério risco de padecermos em grande parte do nosso tempo de vida”.

Refeições diárias

Mariana Tibúrcio explica que cinco refei­ções diárias não signi­ficam parar e fazer um prato toda vez. Para facilitar, a nutricionista orienta como cada uma delas pode ser feita de maneira mais saudável.

• No café da manhã, no lugar do pão francês, do leite integral e da margarina tradicional, substituí-los por pão integral, leite desnatado e mar­garina light, ou com menos teor de gordura. Incluir também uma fruta. Quanto ao café, o recomendável é uma xícara.

• No meio da manhã, uma outra opção de fruta ou uma barra de cereal.

• No almoço, vai bem salada crua, arroz, feijão, um tipo de car­ne, um legume cozido. Se a pessoa tem hábito de comer sobremesa, o ideal é uma gelatina ou fruta.

• No lanche da tarde, quem tem uma atividade que exige pouco esforço físico, como trabalhos de es­critório, um pequeno sanduíche natural com suco supre a neces­sidade. Já quem faz um trabalho que exige mais fisicamente, o san­duíche pode ser maior, além de um suco. Ou então, outra fruta.

• No jantar, quem gasta muita energia de dia, pode repetir o cardápio do almoço. Caso contrá­rio, uma refeição mais leve, como um sopa preparada em casa.

Os intervalos entre as refeições devem ser de, em média, três horas. É importante tam­bém comer deva­gar, apreciando o alimento. Nos finais de semana, quando acontecem os chur­rascos, os almoços dominicais, é pos­sível apreciar uma comida especial, mas em quantidades sempre moderadas.

 

 

 

 

 

 

 

 
Mariana: "é possível comer com prazer e de forma ideal"
 
Bruna fazendo seu lanche no trabalho: suco e sanduíche natural
 

Aprendizado Cociente

O pai e a mãe de Bru­na Pollazzon de Melo, 21, estagiária de direito da Celg, passaram por cirurgias para colocação de ponte de safena nos últimos 60 dias. Preocu­pada com o quadro que levou os pais a esse procedimento, Bruna procurou a  nutricionis­ta Mariana Tibúrcio para aprender a ter uma vida mais saudável e perder peso.  Com a sinceridade de quem realmente deseja mudar, Bruna descreveu seus hábitos alimentares à especialista. Para se ter uma idéia, ela substituía o almoço por salgados, comia chocolate e doces sem medidas e bebia re­frigerante no lugar da água. Em duas semanas, com as orientações da nutricionista, a estagiária já tinha outra relação com a alimentação e estava com três quilos a menos. “Deixei os salgados de lado, apren­di a almoçar corretamente e troquei o refrigerante pela água ou suco”, conta.

Bruna diz que não está achando difícil cum­prir com a dieta. “Achei que era, que ia passar fome, mas até como mais agora, só que na proporção correta e na hora”, Ela tem a meta de perder 15 quilos, mas diz que a lição mais impor­tante, que é ter uma vida saudável a partir de uma alimentação equilibrada, ela já aprendeu.

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